Debie,gritou muitas vezes por socorro,primeiro
silenciosamente com ações e reações deveras estranhas.Embora no começo tivesse tentado freá-las,não
queria demonstrar seu real estado aflitivo.Depois já não pode mais, sua alma
angustiada já não tinha mais controle sobre seu auto controle.Aí veio as cobranças e
indagações…indagações estas que não queriam respostas,mas as cobranças eram
reais.Até que um dia ela não aguentou mais e gritou aos quatros ventos:-ESTOU
COM DEPRESSÃO...uma enorme depressão que está a me devorar,será que ninguém
percebe?Rostos incrédulos e sem ação a fitavam.Refeitos do susto da tão repente
revelação,uns ainda continuavam atônitos sem saber o que fazer ou falar,alguém então arriscou:-Faz terapia, é muito bom.Ninguém perguntou se ela já fazia ou se já se
tratava.Que alienação Santo Deus!Ela correu para seu quarto seu mundinho
pequeno,e seguro...abrigador e que a entendia.Na sala o silencio constrangedor
e “Um E AGORA o que faremos? Pairava no ar-Nada pessoas não façam nada.Dizia
ela consigo mesma,pois em seu pior estado deprimido, lhe restava ainda sua sagacidade
que sempre lhe foi tão peculiar.Sentia e ouvia as palavras não eram ditas, mas que ela as ouvia.O silencio era o de
não saberem o que dizer em voz alta uns aos outros.O estado atônito ainda permanecia,embora disfarçassem entre si.
Pois bem o tempo passou e nada mudou, era o famoso" tapar o sol com a peneira" foi
tapado,de maneira que ninguém mais tocou em assunto"depressão" pelo o menos em sua frente. No entanto sua depressão a
estrangulava..,já não tinha animo nem para a terapia.Dizer o que ao médico? Contar de sua
regressão, que embora lutasse, era como se remasse contra a maré?
Ah, varias e varias vezes ela olhava para seus comprimidos anti-depressivos.E se tomasse tudo aquilo de uma só vez seria fatal?Faltou-lhe coragem várias e várias vezes. Ora vou sair de cena assim como uma derrotada sem eira e nem beira,com projetos inacabados e tudo o mais. Gritava sua dignidade.-Oh não,não posso assim!Então veio-lhe a mente: terminar o que estava começado,concluir tudo,precisava providenciar o próprio funeral.Seria um despropósito sair de cena assim,pois iria contra tudo o que sempre lutou: depender das pessoas.Não, precisava acertar tudo.Ser independente,morrer com dignidade!
Bem,tudo pronto e planejado.Até a música do qual queria que fosse tocada, nada de hinos religiosos, queria Bee Gees, I STARTED A JOKE.
Do outro lado,a família respirava aliviada, entendendo naquela aparente calmaria, como se estivesse tudo bem. Que enfim ela reagia a“aquilo tudo”,e as coisas finalmente voltariam ao normal.-Tudo se arranjaria afinal das contas. E não precisaram levantar uma palha sequer para ajuda-la,aquele estado depressivo dela havia acabado,tal como começou.Ah nada como um dia após o outro!Talvez se tivessem dado enfase aquilo tudo e a tivessem mimado,ela não teria reagido,e talvez se apegado sobremaneira aquele estado depressivo,e se definharia e levaria toda a família junto.-Que bom que tudo dera certo no final!
Ah, varias e varias vezes ela olhava para seus comprimidos anti-depressivos.E se tomasse tudo aquilo de uma só vez seria fatal?Faltou-lhe coragem várias e várias vezes. Ora vou sair de cena assim como uma derrotada sem eira e nem beira,com projetos inacabados e tudo o mais. Gritava sua dignidade.-Oh não,não posso assim!Então veio-lhe a mente: terminar o que estava começado,concluir tudo,precisava providenciar o próprio funeral.Seria um despropósito sair de cena assim,pois iria contra tudo o que sempre lutou: depender das pessoas.Não, precisava acertar tudo.Ser independente,morrer com dignidade!
Bem,tudo pronto e planejado.Até a música do qual queria que fosse tocada, nada de hinos religiosos, queria Bee Gees, I STARTED A JOKE.
Do outro lado,a família respirava aliviada, entendendo naquela aparente calmaria, como se estivesse tudo bem. Que enfim ela reagia a“aquilo tudo”,e as coisas finalmente voltariam ao normal.-Tudo se arranjaria afinal das contas. E não precisaram levantar uma palha sequer para ajuda-la,aquele estado depressivo dela havia acabado,tal como começou.Ah nada como um dia após o outro!Talvez se tivessem dado enfase aquilo tudo e a tivessem mimado,ela não teria reagido,e talvez se apegado sobremaneira aquele estado depressivo,e se definharia e levaria toda a família junto.-Que bom que tudo dera certo no final!
Débora,…Debie como era chamada escolheu o horário: meia-
noite de um dia de Abril e Saiu de Cena…Na cabeceira da cama vários frascos
de remédios para hipertensão jaziam vazios sem nenhum constrangimento.
Os mortos recebem mais flores do que os vivos, porque o remorso é mais forte que a gratidão.
Anne Frank
Os mortos recebem mais flores do que os vivos, porque o remorso é mais forte que a gratidão.
Anne Frank
Um dos textos mais intensos do qual já li. Parabéns!
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