segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ninguém, a Ouvia

Debie,gritou muitas vezes por socorro,primeiro silenciosamente com ações e reações deveras estranhas.Embora no começo tivesse  tentado freá-las,não queria demonstrar seu real estado aflitivo.Depois já não pode mais, sua alma angustiada já não tinha mais controle sobre seu auto  controle.Aí veio as cobranças e indagações…indagações estas que não queriam respostas,mas as cobranças eram reais.Até que um dia ela não aguentou mais e gritou aos quatros ventos:-ESTOU COM DEPRESSÃO...uma enorme depressão que está a me devorar,será que ninguém percebe?Rostos incrédulos e sem ação a fitavam.Refeitos do susto da tão repente revelação,uns ainda continuavam atônitos sem saber o que fazer ou falar,alguém então arriscou:-Faz terapia, é muito bom.Ninguém perguntou se ela já fazia ou se já se tratava.Que alienação Santo Deus!Ela correu para seu quarto seu mundinho pequeno,e seguro...abrigador e que a entendia.Na sala o silencio constrangedor e “Um E AGORA o que faremos? Pairava no ar-Nada pessoas não façam nada.Dizia ela consigo mesma,pois em seu pior estado deprimido, lhe restava ainda sua sagacidade que  sempre lhe  foi tão peculiar.Sentia e ouvia as palavras não eram ditas, mas que ela as ouvia.O silencio era o de não saberem o que dizer em voz alta uns aos outros.O estado atônito ainda permanecia,embora disfarçassem entre si.
Pois bem o tempo passou e nada mudou, era o famoso" tapar o sol com a peneira" foi tapado,de maneira  que ninguém mais tocou em assunto"depressão" pelo o menos em sua frente.  No entanto sua depressão a estrangulava..,já não tinha animo nem para a terapia.Dizer o que ao médico? Contar de sua regressão, que embora lutasse, era como se remasse contra a maré?
 Ah, varias e varias vezes ela olhava para seus comprimidos anti-depressivos.E se tomasse tudo aquilo de uma só vez seria fatal?Faltou-lhe coragem várias e várias vezes. Ora vou sair de cena assim como uma derrotada sem eira e nem beira,com projetos inacabados e tudo o mais. Gritava sua dignidade.-Oh não,não posso assim!Então veio-lhe a mente: terminar o que estava começado,concluir tudo,precisava providenciar o próprio funeral.Seria um despropósito sair de cena assim,pois iria contra tudo o que sempre lutou: depender das pessoas.Não, precisava acertar tudo.Ser independente,morrer com dignidade!
 Bem,tudo pronto e planejado.Até a música do qual queria  que fosse tocada, nada de hinos religiosos, queria Bee Gees, I STARTED A JOKE.
Do outro lado,a família respirava aliviada, entendendo  naquela aparente calmaria, como se estivesse tudo bem. Que  enfim  ela reagia a“aquilo tudo”,e as coisas finalmente voltariam ao normal.-Tudo se arranjaria afinal das contas. E não precisaram  levantar uma palha sequer para ajuda-la,aquele estado depressivo dela havia acabado,tal como começou.Ah nada como um dia após o outro!Talvez se tivessem dado  enfase aquilo tudo e a tivessem mimado,ela não teria reagido,e talvez se apegado sobremaneira aquele estado depressivo,e se definharia e levaria toda a família junto.-Que bom que tudo dera certo no final!

Débora,…Debie como era chamada escolheu o horário: meia- noite de um dia de Abril e Saiu de Cena…Na cabeceira da cama vários frascos de remédios para hipertensão  jaziam  vazios sem nenhum constrangimento.

Os mortos recebem mais flores do que os vivos, porque o remorso é mais forte que a gratidão.
Anne Frank

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